Mostrar mensagens com a etiqueta historia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta historia. Mostrar todas as mensagens

24 setembro 2016

Pórtico do antigo Convento de S. Francisco II

O pórtico compõe-se de tripla arcada de volta perfeita, secionada por pilares retangulares, sendo os arcos encimados por frontões triangulares em forma de cortina e rematados os laterais por pináculos e, o central, por uma cruz. Nos tímpanos e nas faces que separam os frontões, existem dez painéis de azulejos figurativos azuis e brancos do séc. XVIII saídos do ciclo lisboeta dos Grandes Mestres, sendo que seis deles representam membros ilustres da Ordem Franciscana e, os restantes, quatro emblemas alegóricos. Na face externa (sul) estão representados São Boaventura, São Francisco e São Luis e, na face interna (norte), São Pascoal do Baillon, São António e São Salvador d'Orta.

Em 2009 o conjunto de painéis de azulejos foi alvo de trabalhos de conservação e restauro da responsabilidade de Celso Mangucci e Assunção Zagalo.

Painel de azulejos do alçado exterior (sul) após restauro com a representação de S. Francisco

 Painel de azulejos do alçado exterior (sul) após restauro com a representação de S. Boaventura

Painel de azulejos do alçado exterior (sul) após restauro com a representação do sol

 Painel de azulejos do alçado interior (norte) após restauro com a representação de S. Salvador d'Horta

Painel de azulejos alçado interior (norte) com representação de atributos após restauro

painel de azulejos, alçado exterior (sul) com os atributos da Ordem, após restauro

Painel de azulejos no alçado interior (norte) após restauro com a representação de S. Pascoal de Baillon.

Painel de azulejos , alçado interior (norte) após restauro com a representação de S. António

 Painel de azulejos com a representação de S. Luís, alçado exterior (sul) após restauro


Foto dos anos 80 do sec. XX
Painel de azulejos do alçado interior (norte) com representação de atributos após restauro

10 setembro 2016

Início da Idade Moderna na vila de Alcochete





A historiografia da vila de Alcochete aponta as origens do povoado para o período muçulmano, sendo uma tese apoiada no indício sugerido pelo topónimo. Para seu próprio reforço argumenta que a Igreja Matriz assenta sobre as fundações de uma antiga mesquita, embora tal facto nunca tenha sido comprovado (Pereira et al., 1904: 170; Câncio, 1939: 89; Estevam, 1948: 72; Nunes, 1972: 275; Duarte, 1993: 25; Graça, 1998: 14). 

Em nosso entender, e enquanto não surgirem provas materiais que justifiquem o contrário, a vila de Alcochete terá surgido já sob o domínio cristão do território, visto nunca se terem encontrado vestígios arqueológicos anteriores ao século XV (Correia, 2003: 195; 2004; 2010: 185; Correia & Nunes, 2005). Alcochete dependia administrativamente de uma das sedes do concelho do Ribatejo. Este velho concelho, cujo território se estendia entre a ribeira de Coina a Poente e a ribeira das Enguias a Nascente, com dupla administração em Alhos Vedros e Santa Maria de Sabonha (atual São Francisco, Alcochete), é resultado de uma política de consolidação de um território pouco povoado, num momento após a reconquista cristã. A edificação da Igreja de Santa Maria de Sabonha, ordenada em 1252, serviria certamente uma população rural, bastante dispersa. 
Caso Alcochete constituísse já neste momento um aglomerado urbano relevante, certamente reuniria melhores condições para assumir o papel de sede concelhia, em detrimento de Sabonha. Segundo José Manuel Vargas, depois de analisada a toponímia da região documentada nos sé- culos XIII e XIV, são muito raros os topónimos que podem indiciar um povoamento mais antigo, com origens árabes ou moçárabes. A maioria deles são já de origem cristã, surgindo geralmente a menção “onde chamam…”, supondo um povoamento recente (Vargas, 2005A: 17). 

Sendo “Alcochete” indiscutivelmente um topónimo de origem árabe, cuja etimologia al-kusat significa “os fornos”, a sua existência estará provavelmente relacionada com a tradição oleira que se desenvolveu na região durante o período Romano. Esta importante actividade económica desenvolveu- -se ao longo de mais de 400 anos (entre os séculos I e V d. C.), e está testemunhada em cerca de vinte sítios arqueológicos, situados sobretudo ao longo da margem direita da ribeira das Enguias. Porto dos Cacos, o principal destes centros de produção e o único intervencionado arqueologicamente, revelou também uma ténue ocupação do espaço já após o abandono dos fornos, estendendo-se até ao século VIII. Talvez ainda aqui existisse uma pequena comunidade indígena, já sob dependência do novo poder muçulmano sedeado em Palmela, justificando-se assim a perpetuação, em topónimo, do principal elemento caraterizador da região. Sendo assim, “os fornos”, que foram identificadores deste território pouco povoado até à primeira dinastia dos reinados cristãos, passaram, a partir deste período, a designar um espaço físico mais restrito, ou seja, a atual vila de Alcochete, sem dúvida um dos mais antigos aglomerados urbanos da região. O restante espaço rural começava a ser explorado e inevitavelmente identificado com nova toponímia (Correia, 2010: 185/6). Mesmo sob influência da administração de Sabonha, Alcochete foi adquirindo autonomia, fruto do desenvolvimento de que vinha gozando. Enquanto nos meios rurais se praticava uma economia essencialmente agrícola (assente sobretudo na viticultura), nos meios urbanos de Alcochete e Aldeia Galega (atual Montijo) já se assumiam outras formas de subsistência, desenvolvendo-se a salicultura e o transporte fluvial, destinado ao abastecimento da capital (Dias, 2004: 96). Este crescente desenvolvimento proporcionava autonomia, sob o apadrinhamento do Infante D. João, mestre da Ordem de Santiago, desde 1419. 
É a partir desta altura que a documentação passa a designar Alcochete com categoria de vila. A própria noção de concelho começa a ficar explicita já em documentação régia de 1413 (Vargas, 2005A: 46). O referido Infante “terá mandado construir uma residência em Alcochete que, mais tarde (cerca de 1450), o seu sobrinho, Infante D. Fernando, transformou no Paço, várias vezes referido na documentação, onde viria a nascer D. Manuel I, em 1469” (Vargas, 2005A: 47). Esta crescente autonomia viria a ser formalmente reconhecida em 1515, no reinado de D. Manuel I, com a outorgação conjunta de foral a Alcochete e Aldeia Galega.

A referência documental mais antiga a Alcochete data de 1308. Contudo, as evidências arquitetónicas e arqueológicas remontam apenas ao século XV. Ao analisarmos a planta do Núcleo Antigo da vila de Alcochete, deparamos com um tecido urbano de traçado radiocêntrico, com as ruas do Talho, do Paço, de O Século, Diário de Notícias, da Praça e António Maria Cardoso a confluírem para o Largo da República, antigo Largo da Praça. Este traçado, algo irregular, é delimitado do lado norte pela Rua Comendador Estêvão de Oliveira, antiga Rua Direita, a qual parte do Largo da Misericórdia até se unir com o acesso à vila proveniente de Nascente, junto à Igreja Matriz. Para além deste acesso há um outro, proveniente de Sul, da antiga Aldeia Galega, que passava junto da capela de São Sebastião, no Valbom, ainda fora do casco urbanizado. Entrava na vila, na confluência das actuais Rua José André dos Santos com a Rua João de Deus. Este seria o principal acesso a Alcochete. A capela de São Sebastião assumia uma posição de sentinela, tal como se verifica à porta de muitas outras povoações, crendo-se que o respectivo santo mártir protegeria a vila de eventuais pestes trazidas pelos forasteiros. A quem por aqui chegasse podia igualmente refrescar-se no chafariz, situado já dentro da vila. Constata-se que se trata de um traçado urbanístico fiel ao seu original, criado na Baixa Idade Média. 


No antigo Largo da Praça estaria o pelourinho, peça de arquitectura manuelina, oitavado em espiral, decorado com as insígnias da Ordem de Santiago. Será contemporâneo da outorga de foral (1515), tendo sido demolido na segunda metade do séc. XIX. Sobreviveu um segmento do seu fuste, hoje exposto no Núcleo Sede do Museu Municipal de Alcochete

 Retomando o (...) tombo das propriedades de 1498, o Paço do Concelho, também conhecido por Estalagem, compunha-se de três divisões: a casa onde se vendiam as mercadorias, a estrebaria e o palheiro. A levante confinava com o talho, virado para a atual rua com a mesma designação, a poente para a rua, ainda conhecida por Rua do Paço, e a sul ficaria o Alpendre do Concelho, este virado para a praça. A norte do talho ficava o Lagar de Fernão Meira4 (Beirante, 2004: 75; Estevam, 1956: 36/7). 
Este paço terá sido sede administrativa do concelho até inícios do século XX, momento em que os serviços de administração se transferem para o atual edifício, antigo Solar dos Pereiras. A edificação deste solar terá ocorrido em finais do século XVI (Nunes, 1972: 107). De entre o rol de residências pertencentes à Estalagem, destaca-se uma, curiosamente chamada “mesquita” , cuja localização não é esclarecedora. Talvez se tratasse eventualmente de um espaço onde uma pequena comunidade islâmica prestava culto.*

Contudo, há certezas de Alcochete ter albergado uma pequena comunidade judaica, residente junto da praça. Em reunião de 24 de Agosto de 1421, a vereação tomou conhecimento de que a população de Alcochete tinha pedido para que os judeus da vila não rezassem no meio da praça, visto que faziam-no tão alto, que “enojavam” a restante população . 
Havia três poços públicos dentro da vila: o Poço Salgado, de localização incerta, embora Beirante o situe junto da Rua Direita (atual Rua Comendador Estêvão de Oliveira), o Poço de São João, situado diante da igreja Matriz, no largo com o mesmo nome, (tendo sobrevivido até inícios do século XX e recuperado em 2009) e o Poço da Horta, o qual dispunha de nora para abastecer o já referido chafariz. Esse mesmo poço, junto do qual se situava também o curral do concelho, onde se guardava o gado fugido causador de estragos nas culturas, abastecia ainda a Horta do Concelho (Beirante, 2004: 75,76).

Fonte: Setúbal Arqueológica. texto de Miguel Correia
*o sublinhado no texto é de minha autoria. 

29 março 2016

Estevão António de Oliveira




ESTEVÃO ANTÓNIO DE OLIVEIRA, nasce a 6 de Outubro de 1788 no Samouco – Alcochete. Negociante de gado, cria amizades com os grandes lavradores do Ribatejo, dado seu pai - José António Luís Rosa Oliveira ser administrador da Casa Agrícola do Conde de Azarujinha e seu grande amigo -, tornando-se também proprietário – ou foreiro - de terras do património do Infantado, que incluíam entre muitas outras, as do senhorio de Pancas. Não se sabe o ano, mas pensa-se que teria sido em princípios dos anos 30 do século XIX, uma vez que para aqui vieram pastorear as reses que comprara a Manuel da Silveira Brito ( Marquês de Ponte de Lima). 

Começou a correr toiros com o ferro EO, vindo a vender a António José Pereira Palha uma vacada brava da sua ganadaria em 1850.
A 31 de Julho de 1855, cedeu toiros para a corrida realizada na Praça de Toiros do Campo de Sant’Anna, em benefício do Asilo da Mendicidade, o que veio a repetir-se no primeiro domingo de Junho de 1862, na mesma praça.

- ESTEVÃO ANTÓNIO DE OLIVEIRA JÚNIOR, nasceu a 30 de Agosto de 1824, em Alcochete. Filho do anterior - do qual herda a ganadaria -, afora a José Ferreira Prego - 2º. Barão de Samora Correia - terras do “Senhorio de Pancas”, formando quatro grandes foreiros, designados por: Camarate, Quinta de Pancas, Paúl da Vala e Bracieira. A partir de 1863 começou a adquirir os domínios directos dos foros e, dentro de poucos anos, toda o “Senhorio de Pancas” lhe pertencia em posse plena, que lhe permitirá utilizar o ferro real, o que não sucedia com seu pai, que utilizava o “EO”.
As terras do “Senhorio de Pancas” estendiam-se por uma área enorme, de cerca de 12.000 hectares, e formavam assim uma das maiores concentrações de terras, ficando célebres, e estão largamente historiadas, as diversões venatórias que a corte portuguesa realizou através dos séculos, nas coutadas de Pancas. Aqui mandou fazer as grandes marinhas de “Vasa Sacos”, cuja produção média anual, andava por 14.000 moios de sal. Possuía também vastas herdades no Lavre, todas formando o conjunto da sua importantíssima casa agrícola.
Além de homem público de marcada posição e de grande prestígio nacional na sua época, foi, acima de tudo, um dos maiores lavradores de todos os tempos do Ribatejo, não só pela vastidão das suas terras, mas também como criador de toiros, por ter adquirido o ferro e divisa ( branco e escarlate, mudando depois para branco e verde) da ganadaria de “Pancas” - que ostentava uma coroa real por cima do “P” -, com origem em reses das “Reais Manadas” , mais tarde “Casa do Infantado”, nome pelo qual ficou conhecida a ganadaria fundada por D. Miguel I em 1830, que pastava em terras do “Senhorio de Pancas”, sendo neste ano acrescida com 50 vacas e 2 sementais de pura casta “Vazqueñha, de pelagem “jabonero”, oferecidas por seu tio D. Fernando VII de Espanha - gado este adquirido ao testamenteiro de Vicente José Vázquez, por créditos da coroa espanhola. Se bem que esta vacada tenha sido instalada nas terras de Salvaterra de Magos, e separada da ganadaria de “Pancas”, o ferro “P” absorveu também esta vacada. Após as Guerras Liberais, com início em 1831 e fim em 1834 , e instaurado o regime liberal e após a assinatura da convenção de Évora Monte que obrigou o ”rei toureiro”- e toureiro porque foi valente cavaleiro, toureiro amador e forcado, além de ganadeiro e grande aficionado - a exilar-se, embarcando em Sines na tarde de 6 de Junho de 1834, os seus bens foram confiscados pelo vencedor, seu irmão D. Pedro IV, e a ganadaria de casta espanhola dividida no ano de 1834 por quem melhor o tinha servido: Marquês de Belas e Comendador Dâmaso Xavier dos Santos, os quais, a venderam em lotes mais ou menos volumosos aos lavradores da região de Samora e Alcochete. 
Dâmaso Xavier dos Santos, alienou a sua parte a diversos criadores, entre eles Manuel da Silveira Brito (Marquês de Ponte de Lima), tendo este por sua vez vendido a sua parte - mas já com sangue “vazqueñho” misturado com “toiros da terra” - aos ganadeiros: Conde de Sobral, Barão de Salvaterra de Magos, Marquês de Vagos, Máximo da Silva Falcão, João Veloso Horta e Estevão António de Oliveira (pai). O sangue “vazqueñho” fica, pois, disperso e mais ou menos cruzado com reses portuguesas.
Estevão António de Oliveira Júnior, apurando-a, correu” toiros Pancas” em Portugal e Espanha nos anos de 1859 a 1874, chegando mesmo a coexistir com a do pai, Estevão António de Oliveira. Entrou por diversas vezes em corridas-concurso na praça do Campo de Sant’Ana com as de Rafael José da Cunha e João de Sousa Falcão, tendo saído sempre vencedora. Eis algumas das corridas efectuadas em Portugal com toiros deste ganadeiro: 
- 15 de Abril e 29 de Abril e 4 de Setembro de 1859; 12 e 27 de Março e 12 e 26 de Agosto de 1860; 3, 6 e 10 de Abril e a 2 de Junho de 1862, todas na Praça Campo Snt’Ana. Quase todos os toiros saltaram a Barreiro, um deles, com um salto chegou à terceira fila de um sector, e outro saltou atrás do bandarilheiro José Cadete, que o colheu, deixando-o em mau estado. Os seus toiros foram sempre muitos apreciados em Espanha, chegando num espaço de 10 anos a serem lidados 50 por temporada, pelo que aqui damos uma pequena amostra: 
- 13 toiros a 19 de Agosto de 1866 em Toledo e a 26 de Janeiro, 26 de Março, 6 de Abril, 4 e 11 de Maio de 1862 na antiga praça de Madrid ( inaugurada a 30 de Maio de 1754). Em 1833, é substituída a parte de madeira por alvenaria e demolida em Agosto de 1874, surgindo a 4 de Setembro deste ano, a famosa praça de Madrid, conhecida pela «carretera de Aragón» com 13.200 espectadores, que dura até 1934. A 21 de Outubro de 1934, é inaugurada a actual “Monumental” Praça de Toiros de “Las Ventas”, cujo redondel tem 60 metros de diâmetro e a com capacidade actual de 22.500 lugares sentados.
O matador Salvador Sanchez y Povedano “Frascuelo”, gostava de tourear os toiros “Pancas” por serem muito bravos e de grande corpulência, duros e resistentes, chegando com grande poder até à morte suprema. Um toiro seu , de nome "Cortiço", corrido na “Monumental” de Madrid a 11 de Março de 1862, recebeu 20 "varas", mantendo nobreza e casta até à morte, coisa nunca vista até então. Numa outra e, novamente nesta praça, outro toiro feriu gravemente 3 matadores, tendo por isso alguns toureiros não mais lidar toiros “Estevão”. Para tal, chegou a celebrar-se uma escritura através da qual se impunha uma multa de 5 mil réis a quem lidasse toiros tão bravos, apesar da oposição de “Frascuelo” que não teve outro remédio se não cumprir o decidido. 
Juntamente com os de Rafael José da Cunha, os toiros “Estevão de Oliveira”, tornaram-se presença habitual na velha praça de Madrid, o que prova a sua qualidade. E tanto assim é que, António José Pereira Palha, pai de José Pereira Palha Blanco, quando começa a pensar criar a sua ganadaria em 1848, para conseguir bons reprodutores, a escolha incide sobre o criadores de reses descendentes dos famosos Vazqueños reais: Estevão António de Oliveira – pai de Estevão António de Oliveira Júnior -, João de Sousa Falcão e João Veloso Horta. É a Estevão António de Oliveira, e a estes lavradores, que António José Pereira Palha compra uma vacada brava, com reses da “terra” cruzadas com gado “vasqueñho”, vindo em 1871, seu filho José Pereira Palha Blanco a comprar a Estevão António de Oliveira Júnior, reses da mesma casta, mas já pura.
Durante alguns anos, a ganadaria esteve parada para uma nova fase de aperfeiçoamento, mas, mesmo assim, Estevão de Oliveira recebia propostas para remeter toiros para a nova praça do Campo Pequeno. Aos convites, respondia invariavelmente: «Por enquanto só tenho “cautelas” de 25 réis, e essas não podem ainda ser apresentadas em Lisboa. Distribuas pela província... Mais tarde! Mais tarde... lá irão!». Será o seu filho (Estevão Augusto de Oliveira), que em 1897 reaparecerá com os toiros “Pancas” no Campo Pequeno.
Foi-lhe dado o título honorífico de Comendador por D. Maria II. Em relação à atribuição desta Comenda – da “Conceição”, presumindo-se que se refira à Ermida de N. Sª. da Conceição em Alcochete, mandada construir pelo navegador Tristão da Cunha no século XVII -, dizem alguns historiadores que a mesma foi atribuída por D. Luís I. 
Leonor do Carmo Estevão Oliveira Sena da Silva, bisneta, afirma que foi D. Maria II, só que seu bisavô, na cavalgada para a Herdade de Pancas - quando da recepção a D. Maria - a perdeu. Mais tarde, depois de contado o sucedido, a monarca ofereceu-lhe outra. 
Quando da visita de D. Maria a Alcochete - para conhecer as suas propriedades - e, tendo viajado no vapor real “Dragão” com seu filho D. Luís – tinha este 9 anos, que mais tarde virá várias vezes a Alcochete para caçar nas terras de “Pancas” -, foi recebida no desembarco – pensa-se que nas “escadinhas” ou “rampa” no Largo da Misericórdia - pelo Comendador Estevão de Oliveira montado a cavalo e ladeado pelos campinos da casa, seguindo a comitiva para o monte de Pancas. 
Foi muitas vezes deputado, ora por Montemor-o-Novo, ora por Évora. Presidiu como Decano à Junta Preparatória em 1889 e 1890. Em 1891 entrou na lista quíntupla para os cargos de Presidente e Vice – Presidente. Foi depois suplente à Presidência, que chegou a exercer algumas vezes, tendo sido também durante alguns anos Tesoureiro da Câmara dos Deputados. 
Citamos dois parágrafos de uma conferência proferida pelo alcochetano Sr. António Lopes Lourenço, na Casa do Ribatejo, em 12 de Outubro de 1950:-
-- «Os deputados recebiam um subsídio, que mais tarde, em 1892 foi extinto. “Estevão” era um tesoureiro a valer, não confiando as suas funções a qualquer funcionário. Não queria ajudantes. Não fazia discursos na Câmara. Mais obras do que palavreado. Nada de questiúnculas. Todo ele era paz, tranquilidade e sossego. No entanto, chegado o fim do mês, o nome do deputado alcochetano andava de voz em voz para se ouvir esta frase: “Hoje fala o Estevam d’ Alcochete!” É que estava chegado o dia de pagamento do subsídio e não faltava ninguém a sublinhar com apoios a oratória do deputado Estevão de Oliveira, que pagava sempre em lindas moedas de cinco mil réis. Eram vinte a cada colega. E todas novinhas em folha!»

Texto e Foto de José Barrinha Cruz, Facebook

21 abril 2014

O Sal - Parte 7



Vida dos Salineiros

Os trabalhadores das marinhas do salgado de Alcochete designados por salineiros, normalmente, iniciavam a sua actividade nas marinhas muito novos por volta dos 9/10 anos ou depois de concluírem a escola primária, aos 12 anos. Muitos não iam à escola e logo que se pressentia alguma robustez física, mesmo ainda crianças eram iniciados nos trabalhos das marinhas. Aos nove anos a sua função era de apoio aos trabalhadores, transportando a água para servir os que trabalhavam debaixo do sol escaldante – eram conhecidos pelos aguadeiros. 

Alguns iniciaram a sua vida nas marinhas, aos 6 anos, acompanhando os seus pais e desempenhando a mesma função de aguadeiro. Assim nos relatou um salineiro que aos 6 anos começou a acompanhar o pai, mestre da marinha, como aguadeiro. Nas marinhas executou vários tipos de trabalhos, chegou a ser “punhos reais”. Trabalhou em várias marinhas até ao momento em que deixou o trabalho das marinhas para ir trabalhar para a Firestone (fábrica de pneus), nos anos 60. No entanto, nunca se esqueceu das marinhas e depois de se reformar voltou a dedicar-se à salicultura, ajudando nos trabalhos de limpeza e, na altura da colheita, quando era necessário bastante mão de obra para “rer” o sal e tira-lo das barachas para a serra. (informante: Torcato Guerra).

Aqueles que iam à escola começavam a trabalhar quando concluíam a 4ª classe. Também nas marinhas iniciavam a sua actividade, deixavam de ser crianças muito cedo, quase desconhecendo o significado de brincar. Depois de um dia duro de trabalho, não havia muito tempo para a brincadeira e o cansaço era grande.

 Assim aconteceu com o Sr. Manuel Nicolau que aos 13 anos e feito o exame da 4ª classe, começou a trabalhar nas marinhas. A primeira marinha onde trabalhou foi na Gema – Cova pertencente a D. Mariana Gonçalves, que em 1952 passa a integrar as salinas da Fundação João Gonçalves Júnior. Sempre trabalhou nestas marinhas. ( informante: Sr. Manuel Nicolau)
O Sr. Manuel Nicolau aprendeu a “arte de salineiro” com o pai, actividade que mantém até hoje, aos 85 anos. Conhece bem as marinhas e os processos de feitura do sal. Nas marinhas executou todo o tipo de trabalhos. A sua sensibilidade e capacidade de observação aliada ao seu porte robusto, tornou-o marnoteiro, o mestre das marinhas de D. Mariana Gonçalves, função que continua a desempenhar na Marinha do Brito. Enquanto Mestre da marinha, vai ensinando aos mais novos que trabalham sob as suas ordens a “arte de salineiro”, transmitindo o seu saber obtido pela experiência acumulada durante 70 anos, para que se mantenha viva uma arte que ameaça extinguir-se. Amanhar as marinhas é uma tarefa que só alguns sabem fazer, por isso é preciso em primeiro lugar ensinar a observar, para depois poder estar apto a executar todos os trabalhos, com a perícia e destreza necessária até à feitura do sal: Limpeza das marinhas, circulação da água até às caldeiras de moirar e depois para os talhos, até à obtenção dos cristais de sal. Finalmente a tirada do sal e o carrego até à Serra. A feitura da Serra também não é tarefa fácil, é preciso saber como se vai colocando o sal por camadas, uma vez que as camadas que se vão sobrepondo até construir a serra são feitas de diferentes tipos de sal.

 Conforme descreve o Sr. Manuel Nicolau, a maioria das famílias de Alcochete viviam da produção do sal, como assalariados. A aprendizagem fazia-se em tenra idade e era transmitida de pais para filhos, pois já os seus bisavôs, avós e pais tinham aprendido a “arte de salineiro”.

 Na primavera iniciavam-se os trabalhos de limpeza das marinhas e no verão a actividade intensificava-se com a safra do sal, exigindo grande quantidade de mão-de-obra. No Inverno o salineiro dedicava-se à agricultura e ao “descarrego” do carvão no Porto de Lisboa, actividade que o Sr. Manuel Nicolau também exerceu.

Conforme refere em 1950, José Estevam, “O trabalhador de Alcochete entrega-se no verão ao serviço das marinhas e, pelo ano fora, na descarga do carvão. Antes da descarga empregava-se, além do serviço do sal e dos barcos, a cortar mato na charneca (…). Sem queda para o negócio ou para a indústria, que requer espírito de poupança, sabendo ou não ler e escrever, otrabalhador nada mais faz que tratar do sal e acarretar carvão, mesteres em que labuta desde menino e moço, sem embargo de se adaptar a outro serviço, pela faculdade mui apreciável de assimilação ou apropriação a qualquer labor.”

 O marnoteiro (Sr. Manuel Nicolau) refere ainda que, a vida não era fácil e o trabalho nas marinhas era muito duro. Daí que durante a safra os trabalhadores procuravam animar o trabalho e o carrego do sal para a Serra com “ O conto do sal”, que consistia em entoar em voz alta em forma de pregão o número de canastra que se erguia para a cabeça do carregador. Este cantava então: “esta é a primeira”, “aí vão duas”, “aí vão três”, “aí vão quatro” e assim sucessivamente até ao número 14 e entoavam “a véspera do moio!”, pois as 15 canastras perfaziam o moio. Depois iniciavam novamente o conto.
 Refere o Sr. Nicolau notando-se alguma nostalgia no seu timbre de voz: “ estes eram tempos em que dava gosto olhar para as marinhas todas cobertas de sal até perder de vista”.

 Ainda nos finais dos anos 80 era normal os jovens durante as férias escolares no verão irem trabalhar nas  marinhas, ganhando um pequeno salário que lhes permitia comprar alguns objectos pessoais.
Os trabalhadores da marinhas encontraram uma forma de ocupar o seu tempo nas horas de descanso - descobrindo uma arte que se revelou na construção de miniaturas de barcos, de formas para pães de sal. Mas evidencia a sua capacidade para aproveitar os instrumentos já gastos e dar-lhe formas ao seu gosto, associando a funcionalidade à arte. 
Os barquinhos eram feitos pelos “criados das marinhas” que cheios de paciência enchiam a “tábua superior de desenhos , de números, de iniciais, de nomes, de datas, V.V.Fx:, B. do J.S., 380, 499, 314, Carlos roque, 16 de Julho de 1910; uma casa desenhada a traço simples; barcos de duas velas, como a fragata do Tejo, duas letras, L.P., entre figuras de sino-saimão; toda uma arte infantil de ganhões, analfabetos, que aproveitavam o descanso da sesta, dando que fazer à navalha  que acabou de recortar o pão e o queijo da refeição frugal.”

Os mestre das marinhas revelam uma arte mais sofisticada, dedicando-se à construção de pequenas caixinhas todas trabalhadas “formas de sal fino, em que se manifesta a arte do sal, popular especial, exercida pelos marnoteiros e por algum criado de mais alta graduação.
È costume velho, o mestre aproveitar o primeiro sal fino que recolhe para fazer os pãezinhos em formas de paralelepípedos, os quais depois oferece seja aos patrões, seja ás pessoas por quem tem amizade ou consideração. Este sal fino, colhe-se nas cabeças dos caldeirões de moirar e nas dos talhos”. (…) Um dia o mestre imaginou que, lavrando em covos as réguas laterais, ficariam figuras em relevo sobre as paredes do pão de sal, adornando-o, e, sobre pedaços de azinho tirados aos rodos velhos, foi abrindo à navalha tudo quanto a sua limitada fantasia lhe inspirava.”
Por isso, segundo Mário de Sá, as caixas são todas diferentes na decoração, cada caixa trata um assunto, umas apresentam motivos naturalistas, alusivos à terra e à água, motivos sagrados e profanos ( cabeças de touros, flores e plantas de vários géneros, caranguejos, ferros dos lavradores de Alcochete de casa agrícolas, como o ferro dos condes de Cabral; do lavrador Joaquim Pedro de Oliveira, da Sociedade Agrícola e produtora de sal, da Casa do Pancas e dos Irmãos de Oliveira)”.
 “Assim, começou sabe-se lá quando, a arte no sal, uma arte popular, ingénua, sem preocupações, influenciada por um restrito campo de observação, o de salineiro cuja vida se passa mais junto á água dos caldeirões, do que no povoado, com imagens tiradas da Terra  e da água, dos moinhos, dos barcos, dos animais, das plantas e dos objectos por vezes estranhos.”

Fonte: Maria Dulce de Oliveira Marques – Dissertação de Mestrado –“O Salgado de Alcochete”


Foto: Junta Freguesia de Alcochete 

11 fevereiro 2014

Igreja Matriz - Parte III


Ver partes anteriores  aqui.






Hino da Restauração do Concelho de Alcochete








(…) A população do Concelho secundou a da Vila com o mesmo entusiasmo. Chorava-se de satisfação. Chorava-se de alegria.

Nas ruas pejadas de gente, abraçavam-se uns aos outros. A filarmónica, reunida à pressa, percorreu as ruas da Vila, no meio de muito povo, de muitos vivas, de muito fogo, tocando o “Hino da Restauração”esse hino que um alcochetano compôs, (João Baptista Nunes Júnior) e que todos nós alcochetanos sabemos cantar e sentir.

Ia, enfim, soar a hora da libertação!

- Duas semanas depois, no dia 30 de Janeiro, entrava solenemente nos seus Paços Municipais, o Arquivo do Concelho de Alcochete, não trazido por um simples oficial de diligências, mas sim pelas mãos fidalgas de D. António Pereira Coutinho, o primeiro presidente do Município restaurado.- Muito propositadamente o fora buscar em pessoa a Aldegalega, o ilustre Marquês de Soydos, com D. João Pereira Coutinho, António Luís Nunes e José Francisco Evangelista.
A população inteira, acompanhada pela filarmónica, esperou, fremente de alegria e comoção, à entrada do Concelho (...) – À noite não houve edifício público, não houve casa particular, rica ou pobre, grande ou pequena, que não iluminasse a sua fachada em sinal de regozijo. – E desta forma começaram as festas da “Restauração”. (...)
(…) Grande banquete na sala nobre do Palácio Pereira Coutinho, durante o qual a filarmónica executou vários trechos musicais, e finalmente, como fecho da festa, uma imponentíssima marcha luminosa, apoteose formidável, extranha faixa de luz, melhor, de fogo, alastradora, interminável, por toda a beira-rio, onde dezenas de barricas, alcatroadas, ardiam fantàsticamente. E, para tudo haver nessa marcha rubra de calor e frenesi, nem faltaram mãos delicadas de mulheres, sustentando, gentis e orgulhosas, clássicos e portuguesissimos archotes.
Assim terminaram, exuberantes de alegria e de nobreza, as grandes Festas da Restauração, consoladora recompensa de dois anos de martírio, estupenda manifestação de uma liberdade reconquistada.
José Grilo Evangelista

Restauração do Concelho de Alcochete - Exortação aos Novos,
In: Jornal A voz de Alcochete, Nº 7, Ano I, Janeiro de 1949



Clica para ouvir A Musica


Hino da restauração do concelho de Alcochete

Povo, acorda p'rá glória
da nossa mãe e terra amada.
Leu e escreveu a vitória,
Alcochete restaurada.

És livre, és livre, portanto,
não há já que duvidar.
Haja riso cesse o pranto
e vamos todos a cantar.

Refrão

Povo irmão valente,
nobre povo e gente,
se queres morrer
herói e vencedor
abraça a união
e dá-lhe o coração,
que terás a glória e o amor.

Se mais tarde a tirania
nos quiser martirizar,
basta apenas este dia
para nos desafrontar.

E se lermos o passado
na história livro fiel,
veremos com D. Manuel
o nosso nome gravado.

Refrão

Povo irmão valente,
nobre povo e gente,
se queres morrer
herói e vencedor
abraça a união
e dá-lhe o coração,
que terás a glória e o amor.


Fonte: Cleva e Andante

20 outubro 2011

O viveiro de Forcados





O Forcado

Quem o inventou criou-o português. 
Murmura uma prece, abraça o toiro, entrega toda a sua essência e, num silêncio humilde, guarda a coragem numa partilha íntima. A pega é o mais emocionante respeito pelo que se teme. É o mais entregue temor pelo que se respeita.

Amadores na alma e no ser, os forcados começaram por organizar-se, tal como hoje, em grupos de homens a quem se pedia que dominassem a força do toiro com os ‘forcados de mosquete’, na arena, junto ao acesso à escadaria real, segundo registos que remontarão há mais de quinhentos anos atrás. Eram alabardeiros ou monteiros já então comandados por um cabo com características militarizadas que aliás não se perderam hoje: continuam a ser ‘capitaneados’ por um ‘cabo’, chamam ‘farda’ ao traje de forcado, dão a direita ao cabo nas cortesias e mantém-se uma hierarquia de antiguidade em relação a elementos antigos já saídos do grupo.
De grupos de alabardeiros, defensores dos nobres que assistiam às touradas, passam a rematar a lide dos toiros com as suas pegas por força de um decreto régio de D. Maria II, em 1836, que proibia a morte dos toiros na arena. Chamaram-lhes ‘Moços de Forcado’ por causa dos forcados de mosquete que tradicionalmente utilizavam para defesa da escadaria real. 
A História foi conduzindo a senda dos forcados até aos dias de hoje.
Pegar toiros é também uma forma de Portugal se cumprir. Na coragem da tradição, no compromisso com a vida, na entrega à sorte, na honra da pega, no cumprimento de uma memória que se quer futura.
 Amadores de Alcochete

A 24 de Junho de 1971 é fundado o Grupo de Forcados Amadores de Alcochete, numa saudosa reunião efectuada no Moinho de Vento no Canto do Pinheiro de Alcochete.
Na qual se juntaram os forcados João Perinhas Mimo, Gregório Bolota, José Barrinha da Cruz, Francisco Sequeira, Aníbal Pinto, Alberto Silva, José Pinto, Estêvão Augusto de Oliveira, Filipe Sequeira, Manuel Pinto, Augusto Henrique de Oliveira, António José Pinto, João Rei, João Barata da Silva, Manuel Jorge Marques, António Manuel Cardoso aos quais se juntaram os amigos António Seabra da Cruz, António Faria dos Santos, Francisco da Costa Salvação, Paulo Penim, Vítor Marques e Joaquim da Costa Godinho.
É pelo comando de João Perinhas Mimo que o Grupo de Forcados Amadores de Alcochete se apresenta pela primeira vez em Praça, a 21 de Agosto de 1971 na Praça de Toiros Amadeu dos Santos, no Montijo perante seis Toiros de Rio Frio.
De João Perinhas Mimo, cabo fundador, destaca-se o seu forte poder de organização, capacidade de liderança, flexibilidade e sensibilidade para lidar com tão ingrata tarefa de conduzir um novo grupo. Comandou até Abril 1984, ano em que se despede, em Alcochete, perante toiros de Paulo Caetano. Após catorze épocas de chefia sábia, entrega ao seu sucessor um grupo bem consolidado, prestigiado e com os seus princípios bem definidos.
António Manuel Cardoso foi o forcado eleito para comandar o Grupo entre 1984 e 1995. É sob a sua responsabilidade que, nesta década, o grupo não só atinge o topo da tauromaquia nacional, como a tragédia lhe bate há porta. A morte repentina, e em tão pouco tempo, de dois jovens forcados na posse de todas as faculdades físicas e técnicas para pegar toiros, deixa o Grupo chocado e abalado durante muito tempo.
Nestes momentos duros, difíceis e dolorosos, emergiu um enorme sentido de unidade de todos quantos vestiram a sua “jaqueta” e, em conjunto, foi possível ultrapassar esta fase mais crítica. Queremos realçar também a solidariedade de todos os outros grupos.
A força e a união do Grupo fizeram com que este período difícil fosse ultrapassado, com muito sofrimento é certo, mas vencido e com a certeza de ter tornado o Grupo mais forte perante qualquer adversidade. António Manuel Cardoso retira-se a 31 de Agosto de 1995, na Praça de Toiros do Campo Pequeno, com Toiros de António Coelho Charrua.
Sucede-lhe João Pedro Bolota. Forcado de eleição, de vida dedicada à arte de pegar toiros e ao seu Grupo, este cabo mantém o Grupo durante o seu comando na senda dos antecessores com actuações de grande mérito e presenças assíduas nas melhores feiras taurinas, permitindo ao Grupo continuar a figurar no “escalafon” dos “Românticos” da Festa Brava.
A 1 de Julho de 2007, em Alcochete, e perante um Curro de Toiros de Pinto Barreiros, João Pedro Bolota despe a “jaqueta das ramagens” após uma carreira de 33 anos de forcado e entrega o comando a Vasco Pinto.
Empenhado, orgulhoso da Terra e do seu grupo, Vasco Pinto emprega-se numa liderança na continuidade emprestando-lhe uma visão actual e activa.
No Historial do Grupo, constam actuações em todo o País e Ilhas, Espanha, França e Estados Unidos da América. De realçar a presença na primeira Corrida “Goyesca” com forcados, aquando do 2º Bicentenário da Praça de Toiros de Ronda, realizada a 7 de Setembro de 1985, na qual foram pegados dois toiros em pontas da ganadaria de D. Belen Ordoñez.
Sendo Alcochete conhecida pela sua aficción e terra de antigos e famosos forcados, cabe aos actuais a responsabilidade de honrarem a imagem do forcado alcochetano, assim como darem a conhecer a outros povos e culturas, esta genuína, única, e tão “nobre arte de forcado português”.
É certo que nos esperam momentos de sorrisos e de lágrimas, optimismo e angústia, medos e valentia mas, com o apoio de antigos elementos, amigos, familiares, e essencialmente com a amizade e a união fomentada em muitas tardes e noites de “toiros”, tudo será recompensado!

Amadores do Aposento do Barrete Verde
O Grupo de Forcados Amadores do Aposento do Barrete foi fundado a 22 de Maio de 1965, no seio do Aposento do Barrete Verde tendo como primeiro cabo José Luís Carapinha Rei, à frente de um grupo de forcados constituído por Manuel Pinto, Aníbal Pereira, Eduardo da Costa Vantacich, Luciano do Carmo Pinto, Gregório Bolota, João Mimo, António Tavares, José Pinto e José Gomes e, mais tarde, Augusto Henrique, Francisco Giro e Luís Cebola.




O grupo faz a sua apresentação na Praça de Touros de Alcochete a 9 de Agosto desse ano, num festival de homenagem ao Aposento do Barrete Verde, que integrava no cartel, os cavaleiros Pedro Louceiro, João Núncio e José Samuel Lupi. O espectáculo taurino foi abrilhantado pela fabulosa Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898.


Em 1967 António Luís Penetra foi nomeado cabo, e sob a sua orientação o grupo alcança grandes êxitos, destaque para a mais alta distinção atribuída a um Grupo de Forcados – O Prémio da Imprensa, em 1968, afirmando-se de forma inegável no mundo taurino, tornando-se uma referência para a forcadagem da época.  

Em 1981, Luís António da Piedade Cebola assume a liderança e aposta na renovação e na juventude, ao criar o Grupo de Forcados Juvenis, que muitos forcados daria a Alcochete, alguns deles ainda hoje se encontram no activo. O Grupo de Forcados do Aposento do Barrete Verde desloca-se a corridas no estrangeiro, por terras de Espanha e França, e participa na Corrida TV, sendo considerado pela crítica especializada como um dos melhores Grupos de Forcados, em 1991. 

A 24 de Junho de 1993, Joaquim José Penetra assume a liderança na corrida realizada na Praça de Toiros de Setúbal. Ainda na década de 90, os Forcados do Barrete Verde alcançam imensos êxitos em importantes praças de Portugal e Espanha. Luís Miguel Cebola, filho do antigo Cabo Luis António Cebola, forcado de referência no panorama nacional, assume em 1995 a direcção do Grupo, honrando com mérito e grande louvor a jaqueta do Barrete Verde. 

Os anos de 2002 a 2004 são testemunho de grandes triunfos alcançados com o Troféu de Melhor Pega, nas Festas Sanjoaninas e na Corrida da TVI. 2003 é também um ano de consagração do êxito do grupo que recebe a distinção da crítica especializada como “Melhor Grupo” da temporada, atribuídas pela Revista “Campo e Arena” e Jornal “Farpas”. No mesmo ano, o referido Jornal distingue João Miguel Pinto Salvação com o Troféu “Forcado do Ano”. Este jovem assume a direcção do Grupo de Forcados em Agosto de 2005, ano em que é distinguido com o Troféu de Melhor Pega no Concurso de Ganadarias da Feira de Arruda dos Vinhos, e que o grupo perfaz 40 anos de êxitos, de garra e bravura nas arenas.

Pode-se encontrar mais informação, aqui: Forcados e gente da festa brava em Alcochete. Texto baseado em testemunhos de José Barrinha da Cruz, onde contam algumas particularidades da nossa gente. 

Fontes: Site Forcados Amadores de Alcochete
             Site da CMA
             Site da AIPD

Foto: Forcados Amadores de Alcochete

18 outubro 2011

A greve do Sal

A AIPD é uma organização, cuja missão consiste em promover o desenvolvimento das potencialidades dos cidadãos, estimulando a sua autonomia, formação, individualidade e excelência através do combate de alguns factores e exclusão social, privilegiando o desenvolvimento de respostas sustentáveis ajustadas às necessidades identificadas, de forma a contribuir para uma sociedade mais justa e solidária.

O seu site é um autêntico tesouro à história de Alcochete, contendo documentos únicos reunidos, por pessoas que reúnem pedaços dos acontecimentos do concelho e da região.

Desta forma, fui encontrar duas páginas muito completas sobre a greve dos Salineiros de 1957, onde identifico histórias familiares contadas por meu avô, também ele vitima de perseguição.

Aqui ficam então os links:



Vasculhando mais o site no separador próprio, existem mais informações sobre a história de Alcochete.

 

09 janeiro 2009

Bispo de Ceuta e Tânger









Ceuta foi ocupada sucessivamente por Fenícios, Cartagineses, Romanos, Vândalos, Bizantinos e muçulmanos, a sua conquista por Portugal (1415) assinala o início da expansão marítima deste país.


A cidade foi reconhecida como possessão portuguesa pelo Tratado de Alcáçovas (1479) e pelo Tratado de Tordesilhas (1494).

No contexto da Dinastia Filipina, Ceuta manteve a administração portuguesa, tal como Tânger e Mazagão. Todavia, quando da Restauração Portuguesa em 1640 não aclamou o Duque de Bragança como rei de Portugal, ficando sob domínio espanhol. A situação foi oficializada em 1668 com o Tratado de Lisboa, assinado entre os dois países e que pôs fim à guerra da Restauração, no entanto, a cidade decidiu manter a sua bandeira que é composta por gomos brancos e pretos, à semelhança da cidade de Lisboa, ostentando ao centro o escudo real da época.


Ceuta foi diocese em 1417 por bula do Papa Martinho V. A partir de 1645 a diocese de Ceuta deixa de pertencer a Portugal, e passa a ser cidade espanhola.


No "Memoria Historica sobre sobres os bispados de Ceuta e Tanger" de Levy Maria Jordão, aparece D. Heitor de Valladares Sottomayor, natural de Alcochete.


Julgo, se não me falha a memória, que no Museu de Arte Sacra, existe uma gravura de D. Heitor.