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09 janeiro 2009

Obrigado

Obrigado a todos os leitores pelas quase 11000 visitas no "Coisas de Alcochete".

Se quiser participar neste Blogue com algum facto histórico sobre Alcochete, poderá utilizar o mail alcochetano@gmail.com.

16 novembro 2007

Augusto Emilio Zaluar

Nasceu em Lisboa a 14 de Fevereiro de 1826, faleceu no Rio de Janeiro em Abril de 1882.
Era filho do José Dias de Oliveira Zaluar, major graduado, que servira de comissário pagador da divisão dos Voluntários Reais de El-Rei, na campanha do Rio da Prata, antes da independência do Brasil. Augusto Zaluar, achando-se habilitado com todos os preparativos necessários para os cursos de instrução superior, matriculou-se no 1.º ano da Escola Médico-cirúrgica de Lisboa, disposto a seguir esses estudos, mas o seu talento era especialmente literário, e as ciências pouco o atraíam. Depois de se ter deixado arrastar pela paixão revolucionaria, e de se ter alistado nas tropas populares que fizeram a revolução de 1844, sob as ordens da Junta do Porto, resolveu se a abandonar o estudo da medicina e dedicar-se exclusivamente ás letras. Colaborou em diversos jornais de Lisboa, o na Epocha, Jardim das damas, Revista popular e outras publicações daquele tempo, se encontram poesias suas. Em 1816 publicou um folheto intitulado Poesias, primeira parte. Vendo que nas letras não encontrava os meios de subsistência que esperava, decidiu ir para o Brasil, e para ali partiu em 1849, chegando ao Rio de Janeiro a 3 de Janeiro de 1850. Tratou então do viver dos seus trabalhos literários e jornalísticos, conseguindo alcançar grande popularidade, sendo a sua colaboração muito requestada por todos os jornais. Fez parte algum tempo da redacção do Correio Mercantil e do Diario do Rio de Janeiro; em Petrópolis foi redactor principal de Parahiba, e em Santos da Civilisação. Compôs e traduziu várias peças dramáticas para os teatros, mas 6 anos depois, em 1856, naturalizou-se cidadão brasileiro. Nunca mais voltou a Portugal. Publicou alguns dos seus trabalhos, sobre questões económicas e administrativas do Brasil, e outras literárias.


O poema que vos deixo abaixo, tem uma particularidade... Foi escrito em Alcochete em 1846.
Fontes. Google Books; Arqnet

31 maio 2007

O nosso dialecto





No sitio do Instituto Camões, fui encontrar numa das suas páginas sobre a História da Língua Portuguesa, alguns registos sonoros sobre os dialectos portugueses onde numa divisão geográfica, Alcochete se encontra referenciado como “Dialectos portugueses centro-meridionais: do centro interior e do sul”.
Este estudo mostra-nos as variações linguísticas em Portugal e compara-as.

Para ouvir basta clicar nos links abaixo e acompanhar com o texto.

Alcochete 1

Alcochete 2

Alcochete 3

Alcochete 4

Alcochete 5

Alcochete 6


Fonte: Instituto Camões

23 abril 2007

Procissão Fluvial




No passado dia 15 de Abril, recebi o seguinte mail que passo a transcrever:

"CARO SENHOR
VI O CIRIO DOS MARITIMOS DE ALCOCHETE NO SEU BLOG;
DAR-ME-IA GRANDE GOSTO SE PUDESSEMOS ENCONTRAR-NOS NAS MINHAS IDAS À PÁTRIA PARA FALARMOS DA SENHORA DA ATALAIA E ENTREGAR-LHE UM CD ROM COM A HISTÓRIA DE 1887 E ALGUMAS IMAGENS, UMAS ANTIGAS OUTRAS DA PROCISSÃO QUE REINICIÁMOS HÁ DOIS ANOS.
ESPERO, PELO MENOS, ENCONTRÁ-LO COM OS QUE FOREM DE ALCOCHETE NA PROCISSÃO PELO TEJO QUE ESTE ANO SERÁ A SEGUNDA DO SÉCULO XXI DEPOIS DE QUASE UM SÉCULO DE INTERRUPÇÃO; NOS DIAS 2 E 3 DE JUNHO A PARTIR DO CAIS DA MOITA. ESPERAMOS QUE AS EMBARCAÇÕES DE ALCOCHETE ESTEJAM PRESENTES PARA LEVAREM QUEM QUEIRA IR.

OS MELHORES CUMPRIMENTOS

F. CARVALHO RODRIGUES"




Além de passar informação sobre esta procissão, estou grato pela visita ao meu blog e mostro o meu interesse sobre a informação histórica que tem para divulgar. Mediante o meu tempo disponivel, irei por tudo tentar estar presente.

Alcochetano

29 janeiro 2007

Crónica lindíssima

Em mais uma das minhas divagações na net, encontrei um texto que mais uma vez me fez encher de orgulho. Alcochete ainda sabe receber bem.

Com as suas palmeiras gigantes à beira Tejo, o Miradouro Amália Rodrigues, homenagem da população local à grande musa do Fado, contrasta fortemente com a arquitectura rural deste canto ribeirinho da vila. Nas traseiras da Ermida da Nossa Senhora da Vida, edifício de traça maneirista fundado em 1577, as casinhas de piso térreo, com as suas fachadas caiadas de branco e rodapés pintados em azul marinho, como se vê em muitas casas rurais no Alentejo e no Ribatejo, são o modelo perfeito da arquitectura típica das povoações rurais. Por este cantinho arquitectónico, começa-se a vislumbrar a essência desta vila tão próxima de Lisboa e da grande lezíria ribatejana.
O pontão frontal à Igreja da Misericórdia e ao Museu de Arte Sacra é um local privilegiado para observar Lisboa. A vista é, simplesmente, deslumbrante: vê-se com nitidez a Ponte Vasco da Gama, o Parque das Nações e os contornos físicos da margem ribeirinha da capital. A vista, a tranquilidade, a luminosidade, e a proximidade do rio fazem deste sítio um ponto de encontro inevitável entre locais e turistas. É aqui que os habitantes locais conversam sentados ao sol, enquanto observam o rio e os turistas que contemplam com admiração a vista de Lisboa. A construção da ponte Vasco da Gama foi uma das melhores coisas que podia ter acontecido a Alcochete. Ficando a menos de meia hora da capital, a vila tornou-se um destino de fuga irresistível para os lisboetas ao fim de semana, que aqui vêm deliciar-se com a gastronomia local. Como não podia deixar de ser, a nova ponte sobre o Tejo fomentou também o desenvolvimento urbanístico. E, infelizmente, os malefícios deste crescimento urbano desordenado já são visíveis ao longo da margem ribeirinha.
A importância histórica de Alcochete está bem presente no pelourinho existente no Largo da Misericórdia, do outro lado da estrada que passa frente à Igreja da Misericórdia, agora adaptada a Museu de Arte Sacra. Foi neste edifício apalaçado, transformado em Igreja da Misericórdia no século XVI, que terá nascido o rei D. Manuel I, em 1469. E, por isso mesmo, esta estrada ribeirinha chama-se Av. D. Manuel I e conta com uma estátua deste monarca, um dos reis que mais impulsionaram a expansão dos Descobrimentos portugueses. Com uma localização estratégica entre a charneca e o Tejo, grandes fontes de fornecimento de alimentos para as populações ribeirinhas, Alcochete desempenhou outrora um papel fulcral na ocupação humana da margem sul do rio. Por este território sobranceiro ao Mar da Palha passaram suevos, vândalos, árabes, mas foi no século XV, sob a égide da dinastia de Avis, que a povoação alcançou o seu período de máximo esplendor. Os bons ares e a presença abundante de veados, javalis e lobos na charneca, que permitiam as caçadas tão apreciadas pela nobreza na época, elevaram Alcochete a “estância de repouso” da corte quinhentista. D. João I e D. João II passaram aqui longos períodos de repouso. D. Fernando, duque de Viseu e irmão de D. Afonso V, estabeleceu residência no antigo palácio de D. Brites Pereira, sobrinho de D. Nuno Álvares Pereira, que seria doado à Santa Casa da Misericórdia em 1540 e sofreria sucessivas adaptações até apresentar o aspecto actual. Foi esta presença da corte que impulsionou o desenvolvimento da povoação: entre os finais de quatrocentos e os finais de setecentos, Alcochete desenvolve-se à sombra da protecção régia, com o Foral manuelino de 1515, e do poder da nobreza rural, cujos domínios territoriais extravasavam para fora do termo da vila.
As ruas estreitas abertas em direcção ao rio conduzem a um coração urbano que prima pela surpresa. Por essas ruas, pontuadas de casas de piso térreo, fachadas coloridas, plantas à porta, e roupa, muita roupa, pendurada a secar ao sol, descobre-se uma atmosfera rural autêntica, imune aos efeitos da modernização que têm destruído tantos traços originais das pequenas povoações portuguesas. É impressionante como tão perto da capital ainda exista uma povoação com a sua atmosfera genuína preservada. As pequenas mercearias, os velhos sentados onde quer que haja sol e as brincadeiras das crianças nas ruas são sinais mais emblemáticos de uma aldeia do interior do que de uma vila a poucos minutos de Lisboa. O centro urbano concentra ainda um número apreciável de edifícios antigos, decorados com azulejos e cores fortes, e até pátios interiores, com casas de piso térreo, com fachadas caiadas de branco e rodapés pintados de azul.
Alcochete é uma terra de pescadores, salineiros e campinos. Os barcos garridos, atracados no pequeno porto diante da Igreja da Misericórdia, a estátua monumental do Salineiro, no Largo do Salineiro, e a estátua emblemática do Forcado nos cornos do touro, no Largo João da Horta, evocam um pouco da história desta vila que viveu sempre do rio e da charneca. O sal, fonte do sustento de milhares de famílias nos séculos XVII e XVIII, ainda é extraído nalgumas salinas na região, mas esta actividade está longe da pujança económica que outrora enriqueceu a povoação. Pelo contrário, a festa brava mantém-se viva como sempre: o gado bravo continua a ser criado nas explorações agrícolas da região e as touradas e as pegas de touros continuam a ser uma paixão dos locais.A paisagem entre a vila e a Ponte Vasco da Gama é um espanto. A inesperada imensidão do terreno plano causa uma estranha sensação de infinito. Na margem do rio sobressaem os moinhos antigos, as antigas secas do peixe, implantadas em meados do século XX, a pequena praia do Cerradinho, as antigas salinas do Samouco, e os sapais da Reserva Natural do Estuário do Tejo, a zona húmida mais importante do país. O amanho cuidado da terra mostra como a agricultura ainda sobrevive na margem sul do Tejo, a escassos quilómetros da agitação urbana de Lisboa.
Texto de António Sérgio Azenha em site INATEL